12 de dezembro de 2007

Beleza é sempre bom?

Desprovido de pescoço, olhos empapuçados, pele rosada e de textura macilenta, corcunda, nanico, obeso, capenga (usuário de muletas como bengala), adepto moderado da calvíce e provável usuário de dentadura.

Essa é uma descrição no mínimo bondosa da criatura que encontrei nesta manhã na parada do ônibus. Enquanto esperávamos a chegada do trasporte público, o universo de certo abalado com a concentração de tamanha feiúra num mesmo local, começou a se mexer. Desse movimento, como que numa compensação divina, algum Deus encaminhou para nossa parada um linda moça. Compleição delicada e proporcional, rosto simetricamente perfeito, sorriso encantador, chamá-la de bela seria um eufemismo. Enfim, ela era inversamente proporcional a toda repugnância que meu companheiro de parada comportava.

Não descrevi todos esses adjetivos para elogiar a bela dama da parada, nem para tripudiar sobre a aberração decadente que portava uma muleta. O que de fato me chamou a atenção foi que, ao chegar na parada, a Moça automaticamente roubou por completo a atenção do decrépito senhor que ali estava (ok, também me chamou a atenção, mas nem de longe como o fez com meu colega). Fiquei até constragido pela forma como o senhor a encarava, olhando de cima a baixo enquanto rulminava algo que eu acredito fosse sua dentadura, escaneando a moça, sem qualquer pudor. Prontamente a jovem deu um passo para trás, discretamente fugindo da vista do decadente ser.

Esse acontecimento me atentou para o preço da beleza. Em geral, a sociedade valoriza muito o lado estético, e muitas pessoas buscam a qualquer custo melhorar sua aparência. Mas precenciando aquela situação, me dei conta de que existe outro preço que se paga pela beleza. A idéia da perfeição física está atrelada à capacidade de atrairmos os outros certo? Naquele momento a beleza estava atraindo uma criatura repugnante. Como sei que meus poucos leitores são bem apessoados e "ladrões e ladras de olhares por ai a fora", talvez não percebam, mas para nós "esteticamente incapazes", é difícil de pensar na beleza como algo que possa trazer infortúnios.


Ao contrário do que este post indica, o Autor não julga as pessoas pela beleza, porém não admira a desistência por uma vida minimamente saudável.

3 comentários:

Carolzinha disse...

Entendo cm essa moça se sentiu...é realmente muito chato ser bonita (brincadeirinha viu, isso foi soh pra descontrair).
Ps: O senhor hj está muito sério, o que houve???
Bjs

Luiz disse...

Tu descreveu mais detalhes do maluco do que da gostosona?? hahahaha!
abrasss

Anônimo disse...

¬¬
tu tá que nem guria fazida se desmerecendo pra ouvir elogio